Carga retida na alfândega: quais são as principais causas e como resolver?
O que significa ter uma carga retida na alfândega? Uma carga é considerada retida quando sua liberação […]
Demurrage e detention são cobranças aplicadas no transporte marítimo quando o contêiner permanece além do prazo livre (free time). Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles possuem finalidades distintas e sua cobrança depende das condições contratuais e das circunstâncias da operação logística.
Empresas que importam ou exportam mercadorias convivem diariamente com riscos relacionados à permanência de contêineres, atrasos na liberação da carga e custos inesperados. Entre eles, destacam-se a demurrage e a detention, despesas que podem representar valores expressivos e, em muitos casos, gerar disputas judiciais.
Neste artigo, explicamos as diferenças entre esses institutos, quando a cobrança é considerada legítima e quais cuidados podem reduzir riscos nas operações internacionais.
Principais pontos deste artigo
O que é demurrage?
A demurrage, também chamada de sobrestadia de contêiner, corresponde à cobrança realizada quando o contêiner permanece no terminal portuário após o término do período de franquia (free time), sem que tenha sido devolvido ao armador.
Na prática, o contêiner continua indisponível para novas operações, gerando custos ao proprietário do equipamento.
É uma cobrança comum nas operações de importação e exportação e costuma estar prevista no conhecimento de embarque (Bill of Lading), nas tabelas tarifárias do armador ou em contratos específicos.
O que é detention?
A detention ocorre em situação diferente.
Após a retirada do contêiner do terminal, o importador ou exportador passa a utilizá-lo para transporte, armazenagem, estufagem ou desova da carga.
Quando o equipamento não é devolvido dentro do prazo acordado, surge a cobrança de detention.
Ou seja:
Embora algumas empresas utilizem nomenclaturas diferentes ou adotem cobranças combinadas, essa é a distinção mais aceita no comércio internacional.
Quando a cobrança de demurrage ou detention é válida?
De forma geral, a cobrança é considerada válida quando:
Contudo, isso não significa que toda cobrança seja automaticamente exigível.
Cada operação deve ser analisada individualmente.
Em quais situações a cobrança pode ser questionada?
Existem circunstâncias em que a exigibilidade da cobrança pode ser discutida.
Alguns exemplos incluem:
Atrasos causados por órgãos públicos
Quando a carga permanece retida por fiscalização aduaneira, exigências sanitárias ou procedimentos de órgãos anuentes, pode haver discussão sobre a responsabilidade pelo período excedente.
Liberação da carga inviabilizada por terceiros
Problemas operacionais do terminal, indisponibilidade para retirada da carga ou falhas atribuídas a terceiros também podem influenciar a análise da cobrança.
Falta de transparência contratual
Cobranças baseadas em cláusulas pouco claras, ausência de informação sobre o free time ou critérios tarifários inconsistentes costumam gerar controvérsias.
Cobranças incompatíveis com a operação
Também podem surgir discussões quando há divergência sobre o período efetivamente utilizado, cálculo dos dias cobrados ou aplicação de tarifas diferentes das contratadas.
Como reduzir o risco dessas cobranças?
Algumas medidas ajudam empresas a minimizar custos relacionados à sobrestadia:
Quanto maior a previsibilidade da operação, menor tende a ser a exposição a cobranças adicionais.
O que normalmente gera disputas sobre demurrage e detention?
Entre os fatores mais frequentes estão:
Quais documentos devem ser preservados?
Em eventuais discussões, alguns documentos costumam ser relevantes para reconstruir toda a operação:
A preservação dessas informações facilita a análise técnica da operação e contribui para eventual defesa de direitos.
Conclusão
As cobranças de demurrage e detention fazem parte da dinâmica do transporte marítimo internacional e representam importantes mecanismos de compensação pelo uso prolongado dos contêineres.
No entanto, sua aplicação não depende apenas da existência do atraso. A análise das condições contratuais, da documentação da operação e das circunstâncias que impediram a devolução do equipamento é essencial para verificar a legitimidade da cobrança e identificar eventuais possibilidades de contestação.
Para empresas que atuam no comércio exterior, investir em planejamento operacional, controle documental e acompanhamento jurídico especializado contribui para reduzir riscos, evitar litígios e conferir maior segurança às operações internacionais.
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